| AERÓGRAFO
- INTRODUÇÃO
O aerógrafo é um instrumento para pintar que
surgiu no final do século passado, e rapidamente
passou a ocupar um lugar proeminente no universo da pintura
e em especial no desenho gráfico e na publicidade.
Os primeiros aparelhos patenteados se diferenciavam um pouco
dos atuais, mas seguiram sempre o mesmo sistema de funcionamento;
este, em teoria é bastente simples, mal grado sua
aparente complexidade: uma corrente de ar comprimido misturada
com tinta e que é modificável e regulável
por uma boquilha e uma agulha. Na época em que foram
comercializados os primeiros aerógrafos para pintar
maquetes, simplificados em relação aos de
desenhos, o universo modelista agitou-se numa convulsão,
autêntica revolução que alterou em todos
os aspectos o processo de decoração e mesmo
o de montagem dos modelos. Desde há uns vinte anos
que o aerógrafo tem se popularizado muito e continua
sendo uma ferramenta essencial, verdadeira jóia entre
qualquer equipamento de trabalho. Graças a ele, os
modelistas conseguem obter efeitos e acabamentos que antes
só obtinham, em teoria, pelos métodos clássicos
de pintura mas que, na prática, se revelavam bastante
ineficazes nos seus resultados.
Todavia, como tudo o que é novo, gerou também
controvérsia e dúvidas. Os primeiros pintores
e ilustradores que o utilizavam foram banidos pelos defensores
do academismo e por outros, firmemente ancorados nos processos
e meios tradicionais do passado. Suas obras foram rotuladas
como impessoais, mecânicas e destituídas de
qualquer interesse estético. E o uso do aerógrafo
confinou-se quase exclusivamente aos estúdios de
publicidade e ilustração, consideradas, equivocadamente,
como artes menores, quando hoje diferenciam pouco das belas
artes. Sua primeira etapa de desenvolvimento, e que serviu
para eliminar quase completamente prejuízos e receios,
deu-se graças aos ensinamentos divulgados pela BAUHAUS,
até popularizá-lo no bojo da Arte Pop, e sobretudo,
até difundir-se no meio do movimento hiper-realista
norte-americano, para cujos artistas o aerógrafo
é hoje o principal meio técnico de expressão.
No modelismo ocorreu algo semelhante.
Existem pessoas contra esta técnica, alegando ser
o aerógrafo um instrumento criado apenas para os
que não sabem pintar, e as maquetes com ele decoradas
serem destituídas de mérito técnico
e artístico: algo parecido com um salva-vidas idealizado
para socorrer os pouco habilidosos e os demais, carentes
de imaginação e bom gosto, Outros em seu favor
reafirmam o tipo de acabamento que um aerógrafo pode
proporcionar às maquetes, sobre tubo sua limpeza,
rapidez e precisão para recriar certos efeitos e
tipos especiais de decoração. Permite ainda
relacionar a pintura e a escala, ao depositar sobre a superfície
de plástico da maquete camadas de tinta finas e uniformes,
proporcionais ao fino detalhe do modelo e ao seu tamanho
pequeno. Sem dúvida que de cada um dos pontos de
vista podemos tirar ensinamentos válidos, pois ambos
têm sua dose de razão. Lamentavelmente, o uso
indiscriminado e maciço da aerografia encheu vitrines
de lojas, concursos e exposições com modelos
aerografados mas absolutamente medíocres.
Contudo, há que não esquecer que o aerógrafo
é um instrumento perfeitamente adaptável ao
modelismo, até o ponto de parecer ter sido criado
justamente para ele. Ao utilizar ou ao adquirir um equipamento
de pintura, a primeita questão a ter em conta por
todo modelista é não aproveitar esse novo
instrumento para substituir outros; em outras palavras:
se você adquirir um aerógrafo, não jogue
fora os pincéis. E se antes não se dedicou
a conseguir suficiente experiência e habilidade com
os pincéis nem desenvolveu com eles sua intuição
e sentidos artísticos, dificilmente poderá
tirar partido do aerógrafo e obter boas pinturas
de modelos. Apelamos para você: não comece
a casa pelo telhado!!!!!. O tempo confirmará que
as boas maquetes não nascem do emprego exclusivo
e simples de um só processo e sim do uso e da combinação
de vários instrumentos para pintar, associados a
várias técnicas de pintura aplicadas sobre
um mesmo modelo. O uso do aerógrafo necessita um
longo período de adaptação, treino
e técnica. Não se preocupe se no começo
os resultados forem desastrosos, é normal.
Trata-se de um instrumento que parece ter vida e personalidade
próprias. O modelista deverá familiarizar-se
com seu mecanismo e sua forma de funcionamento até
adaptar-se a manejá-lo impondo-se aos seus caprichos.
Quando tiver obtido razoável domínio e traquejo
no instrumento, verificará que as possibilidades
que ele apresenta são quase ilimitadas. Você
necessitará, sobretudo, de reunir bastante paciência
e seguir uma série de passos com continuidade lógica:
primeiro, simples pulverizações planas; depois,
ir progressivamente subindo na escala dos treinos, finalizando
com esquemas de pintura com mão levantada. Trata-se
de uma aprendizagem técnica completa, porque a pintura
aerográfica não permite improvisações
e não perdoa quando o modelista deixa de lado a preparação
prévia através de um trabalho paciente e constante
desde a base.
A aerografia tampouco se baseia unicamente no aerógrafo.
São necessários também acessórios
técnicos diversos, combináveis entre si, e
conhecimentos básicos de desenho para poder realizar
modelos explosivos e originais. Lembre-se: por melhor e
mais caro que seja este instrumento, ele será inútil
se as mãos que o manejam não tiverem antes
se dedicado a aprender técnicas mais fáceis
com outros instrumentos de pintura. Por outro lado, qualquer
um pode chegar a ser um excelente maquetista sem recorrer
ao aerógrafo. Assim, não fique com uma obsessão
em relação a ele.
Fonte: Enciclopédia do Modelismo
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